A força do “benzimento” mantém tradição no interior de Linhares com Mãe Preta

A força do “benzimento” mantém tradição no interior de Linhares com Mãe Preta

 10/03/2014 – 9h20 – Atualizada em - 10/03/2014 –  Às 9h20

 Espinhela caída, mau olhado, olho gordo e quebranto são alguns dos problemas que o “benzimento” tem resolvido para muita gente que acredita na força de quem tem o dom de invocar santos, orixás e entidades especiais para as quais as orações são direcionadas. Em Linhares, mais precisamente no distrito de Bebedouro, encontramos dona Alferinda Angélica, mais conhecida como Mãe Preta, uma simpática senhora de 82 anos e que realiza benzimentos a quem lhe procure.

Mãe Preta usa uma imagem de Santo Antônio e uma medalha de Ogum (São Jorge), cada uma dessas imagens devidamente guardadas sob cada um dos seios. É deles que ela os tira para realizar suas rezas e seus benzimentos. Analfabeta, teve de decorar as rezas, aprender os “recados” do tempo, como mudanças da lua, das estações e de datas especiais para que seus pedidos sejam atendidos.

Ela é uma dessas pessoas consideradas especiais que são procuradas por gente que cresceu com a crença de que nenhum profissional da área médica pode curar, por exemplo: cobreiros, espinhela caída, bucho virado, quebrando de criança, destravar portas para o sucesso profissional e tantos outros males, que sempre afligem as pessoas em pleno século 21.

Diz que é uma mensageira de Ogum e Oxalá, o que prova suas origens, já que veio de Elvécia uma localidade pertencente a Cabrália, no sul da Bahia. Mesmo assim, mistura raízes do candomblé com o catolicismo, afirmando ser devota de Nossa Senhora da Conceição. Veio da Bahia ao Espírito Santo ainda pequena, acompanhando pai e mãe, avó e bisavó. Teve 10 filhos e todos eles, segundo ela, foram devidamente benzidos contra várias enfermidades.

Mãe Preta diz que aprendeu as rezas com força para curar com sua bisavó. “Desde pequena eu acompanhava minha bisavó benzer de tudo. Ela ensinou minha avó que depois passou pra minha mãe e depois de tanto pedir, minha bisavó mandou que minha mãe me acompanhasse. Isso faz mais de 70 anos e com as três aprendi a afastar o mal de animais de criação, espantar bichos, curar bicheira em gado e cavalo e, finalmente, as pessoas”, conta ela.

Mas Mãe Preta também é procurada por políticos, pessoas com problemas amorosos e viciadas. Ela conta que é respeitada porque não cobra nada. “Não pode cobrar porque senão acaba o encanto”, justifica. Morando em uma casa humilde, vestindo roupas simples e sendo cumprimentada por todos que cruzam o seu caminho, na rua onde mora, ela é figura conhecida desde as crianças aos mais idosos que sempre a procuram.

Embora a tecnologia esteja acabando com essa prática e notadamente por quem é evangélico e que não acredita nestes costumes antigos, muita gente ainda recorre a banhos de descarrego, limpeza espiritual e, principalmente, para acabar com cobreiros e erisipela. O mais comum é o cobreiro, normalmente atribuído na passagem de algum animal peçonhento pela roupa da pessoa que fica infectada. Atribui-se as cobras, aranhas e lagartixas a contaminação em alguma parte do corpo que sofre com coceiras, vermelhidão e até em casos mais graves a necrose da parte afetada.

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